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Carta Padre Dehon as Irmãs Filhas de São Camilo

Carta Padre Dehon as Irmãs Filhas de São Camilo

Há 70 anos chegava na Terra da Santa Cruz, Brasil, almas pias consagradas ao Senhor como esposas, trajando uma veste negra simbolizando a morte para o mundo e a pertença total ao soberano esposo Jesus Cristo. Uma Cruz vermelha no peito sinal do amor aos enfermos, ensinada e admoestada por São Camilo de Lélis que inspirara Madre Vanini na criação do Instituto das Filhas de São Camilo juntamente com o zeloso sacerdote Luiz Tezza. Uma obra de amor aos enfermos e mais necessitados. Aqui chegaram, tendo já passado pelos pampas de nossa irmã Argentina. Aqui fincaram raízes e criaram troncos, ramagens e em tudo buscaram a glória de Deus e a salvação das almas. Era o início do século XX, século das maiores e mais violentas guerras, que abalaram e sangraram o mundo. Século das revoluções. Século onde se primava pela liberdade. Foi neste contexto histórico que aqui chegaram nossas queridas irmãs provenientes do velho continente europeu, de uma Igreja que saíra em missão e que se preparava para um grande Concílio Ecumênico que ocorreria vinte anos depois, o chamado Concílio Vaticano II. Um tempo difícil, uma terra estranha, mas um povo bom e acolhedor, aberto para a fé e a caridade. O Brasil acolheu com carinho estas ilustres Filhas de São Camilo, confiando e abrindo a elas o espaço e o caminho das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais.

No solo brasileiro foram se espalhando por inúmeros lugares e estados. Nas Minas Gerais, mais precisamente em Cruzília chegaram há 60 anos onde lhes foi confiado um pequeno hospital que a pouco havia nascido, criado por pessoas boas que queriam o bem dos poucos, mas necessitados munícipes. Assim começou esta bonita história de Amor e Doação das Filhas de São Camilo com a nossa querida Cruzília, Terra da Santa Cruz. Aqui chegaram para ficar! Aqui estão para sinalizar que com os doentes é preciso ter o coração nas mãos. Amá-los como se fossem o próprio Cristo.

Coube a mim, que nem sou filho legítimo deste torrão, juntar algumas palavras, formar algumas frases para num singelo texto tentar articular uma mensagem para tal ocasião solene e festiva. O que dizer? São apenas cinco anos de convivência! Logo saltou em minha memória aquela frase que ouvira em uma das muitas aulas de História da Igreja nos passados anos de seminário: Não importa o tanto de tempo vivido junto de alguém que amamos, o que importa realmente é a intensidade que vivemos o amor, mesmo que seja numa fração de tempo. Assim posso sem delongas dizer que a presença das Reverendíssimas Irmãs em Cruzília é uma Dádiva Divina, um presente de valor imensurável. O que seria da nossa comunidade se estas mulheres consagradas a Deus cá não estivessem? Seríamos menos felizes e nossa história seria mais pobre e vazia. Faltaria algo que talvez nem conhecêssemos ou daríamos o devido valor. Deus nos livre do castigo de só darmos o devido valor a algo depois de tê-lo perdido. Estas mulheres de hoje acompanhadas de uma longa lista, das muitas outras mulheres de ontem, foram e são desbravadoras, verdadeiras guerreiras que somaram e somam com os muitos filhos e filhas da Terra da Cruz que em defesa da saúde, do bem estar do enfermo, não medem esforços para levar a bom termo o restabelecimento da vida digna e saudável. Há um ditado que diz: "a maior pobreza do homem e não saber ser grato." A gratidão é um ato nobre e de singular expressão no contexto social. Por isso, com muita leveza de alma agradeço ao Instituto das Filhas de São Camilo, na pessoa da Superiora Geral Ir. Zélia Andrighetti, da Superiora Provincial Ir. Odila Susin e da Superiora desta comunidade São José Ir. Eliane Degasperi e de todas as Revmas. Irmãs que aqui estão e que por aqui passaram.

Muito obrigado em nome de todos os filhos e filhas da Paróquia de São Sebastião. Muito obrigado também em nome de todos os outros cruzilienses que não fazem parte do rebanho a mim confiado, mas são e estão conosco escrevendo a história desta terra altaneira. Deus nosso Pai Misericordioso as abençoe sempre! Suas vidas nos enaltecem, sua presença nos enriquece, somos muito felizes por tê-las em nosso meio. Perdoa-nos se não fomos gratos, se as fizemos chorar ou quase desistirem de nós. Desculpa-nos se nem sempre somamos com seus esforços em dar-nos um hospital humanizado e cada vez mais família. Não liguem se não voltamos para regar as plantas que foram colocadas no jardim da história, é que às vezes somos lentos ou por demais rudes no trato com as singelas pétalas das rosas deixadas ou das mimosas violetas transplantadas nos canteiros da existência humana. Muito obrigado! Deus lhes pague por tudo que fazem por nós. Saibam: É impossível contar a história gloriosa de Cruzília sem fazer memória das Filhas de São Camilo. Como café com leite vocês se misturaram conosco, não dá mais para separarmos.

Que São Sebastião, soldado de Cristo, guerreiro contra o mal, possa sempre interceder por todas as Revmas. Irmãs, para que o Senhor de suas vidas, o Esposo de suas almas, possa conduzi-las sempre pelo caminho da paz. Com carinho e admiração rogando as mais copiosas bençãos do Pai, do Filho e do Espírito Santo a cada uma e a todas as Irmãs Filhas de São Camilo.

Pe. Dehon Vicente Ferreira Pároco da Paróquia São Sebastião de Cruzília

Última modificação emTerça, 21 Junho 2016 17:09